Ontem conversando com um amigo acabei me lembrando de “Le Transi de René de Chalon”, uma incrível escultura de 1547. Feita em pedra calcária, a peça tem 2,10 m de altura e representa René de Chalon, príncipe de Orange.

Filho do conde Henrique III de Nassau-Breda e Claudia de Chalon, René de Chalon (também conhecido como Renato de Chalon) herdou o título de Príncipe de Orange de seu tio materno Philibert de Chalon.

Casou-se em 1540 com Anna de Lorraine e tiveram uma filha, Maria, que sobreviveu apenas 3 semanas. Por essa razão, René de Chalon, sem descendentes, foi o último Príncipe de Orange com ascendência da Casa de Baux.
Estava a serviço de Charles V quando foi morto durante a batalha de Saint-Dizier, em 1544 . Três anos após sua morte, Anna de Lorraine, a pedido do marido, pede ao escultor da corte, Ligier Richier, que o represente entregando seu coração a Deus.
A obra demonstra notável conhecimento de anatomia do artista e pode ter várias interpretações, sobretudo relativas à efemeridade da vida. Há uma forte e bela contrariedade entre o objeto representado – ossos, restos, podridão – e no gracioso movimento de devoção ao transcendental. Le Transi é fortemente arraigada às tendências do século XIV, como ‘La Danse Macabre’.

Danse Macabre
O crânio, tradicionalmente o maior símbolo da vaidade (Vanitas) e do fim inerente, é um ponto-chave na simbologia da peça. As órbitas vazias direcionam-se ao céu, altiva e honradamente, como que oferecendo seu último sacrifício à Deus: o próprio coração.
Podemos ver ao lado o realismo e detalhamento do pescoço.
Até 1790, a estátua segurava uma caixinha vermelha contendo verdadeiramente o coração de René de Chalon.
Foi roubado e posteriormente substituído pelo coração de gesso da imagem ao lado.
O gesto da mão direita, repousando no peito, faz referência à “firmeza da alma” e sinceridade, sendo complementado pelo escudo que pende na lateral do esqueleto representando sua bravura e morte em campo de batalha.
O escudo não possui brasão nem qualquer tipo de detalhe, e simboliza assim a perda de identidade e de valores da vida terrena.
Na imagem da esquerda podemos ver também todo o desgaste da vestimenta se decompondo e se misturando às costelas.
Normalmente a escultura é associada à religiosidade, mas há a possibilidade de que seja na realidade uma prova de amor à Anna de Lorraine.
Le Transi encontra-se atualmente na Igreja de Saint-Étienne em Bar-le-Duc, na França.
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